Benefício é investimento: como saber se o plano de saúde da empresa está dando retorno
Quase toda empresa sabe responder quanto gasta com plano de saúde. Poucas conseguem responder quanto ele devolve. É essa segunda pergunta que separa uma despesa de um investimento.
Imagine a reunião de orçamento. O financeiro aponta o plano de saúde como uma das maiores linhas de custo com pessoas e pergunta, com razão: o que a empresa ganha com isso? Se a resposta for só "é um benefício obrigatório para competir", a conversa termina em corte.
Na ROI Benefícios, partimos de outra premissa, que está no próprio nome: benefício é investimento em pessoas, e investimento precisa ser escolhido com critério, acompanhado com dados e cobrado por resultado.
O custo é só metade da conta
Olhar apenas para a fatura leva a decisões ruins. Trocar de plano pelo menor preço pode gerar mais reclamação, mais tempo do RH resolvendo problema e mais gente saindo da empresa. O custo caiu, mas o retorno caiu junto.
O retorno do plano de saúde aparece em quatro lugares: no orçamento, no uso do benefício, na retenção de pessoas e no tempo do RH. Cada um responde a uma pergunta simples.
Quatro perguntas que mostram o retorno
1. O custo por vida está sob controle?
Divida o valor total do plano pelo número de vidas e acompanhe esse número ao longo dos anos. Ele mostra se o custo cresce por causa de reajustes, por mudanças no perfil da equipe ou por decisões de desenho, como a política de dependentes. Sem essa série histórica, toda renovação começa do zero.
2. O plano está sendo usado do jeito certo?
Uso alto não é, por si só, um problema. O sinal de alerta é o uso mal direcionado: muita gente indo ao pronto-socorro para situações que uma consulta resolveria, por exemplo. Isso costuma indicar falta de orientação sobre a rede, e orientação é algo que a empresa consegue melhorar.
3. O benefício ajuda a reter pessoas?
Cruze os dados de saída de colaboradores com o que aparece em entrevistas de desligamento e pesquisas internas. Se o plano é citado como motivo de insatisfação, ele está custando duas vezes: na fatura e na reposição de quem saiu.
4. Quanto tempo o RH gasta operando o plano?
Inclusões, exclusões, conferência de faturas, dúvidas sobre rede e aplicativo. Some as horas de uma semana típica. Esse tempo tem custo e poderia estar em atividades que realmente desenvolvem as pessoas da empresa.
Um exemplo para visualizar
Pense em uma empresa hipotética com 60 vidas. A carta de reajuste chega, o RH não tem nenhum relatório de uso guardado e o índice é aceito porque não há tempo nem dados para discutir. No ano seguinte, a mesma história. O plano nunca foi ruim, mas nunca foi gerido. O resultado é um custo que cresce sem que ninguém consiga explicar por quê.
Agora imagine a mesma empresa acompanhando os quatro pontos acima durante o ano. Na renovação, ela chega com o histórico de uso, sabe onde estão os desvios e consegue discutir o índice e o desenho do benefício com argumentos. A negociação muda de tom.
Por onde começar
- Reúna as faturas dos últimos 12 meses e calcule o custo por vida.
- Peça à operadora os relatórios de utilização disponíveis para o seu contrato.
- Anote quantas horas por semana o RH dedica à operação do plano.
- Verifique se o plano aparece nos motivos de saída ou nas pesquisas internas.
- Marque na agenda o mês de aniversário do contrato, com três meses de antecedência.
Com essas informações em mãos, a conversa sobre o plano deixa de ser sobre corte e passa a ser sobre retorno.